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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

PARABÉNS BEIJA FLOR!! CAMPEA DE 2015 !!!

Foto: Divulgação
Samba Enredo: "Um griô conta a história: Um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa Felicidade"

Autores: J.Velloso, Samir Trindade, JR Beija-Flor, Marquinhos Beija-Flor, Gilberto Oliveira, Elson Ramires, Dílson Marimba e Sílva

Intérprete:Luiz Antônio Feliciano Marconde (Neguinho da Beija-Flor)

Samba Enredo

Vem na batida do tambor
Voltar na memória de um griô
Fala cansada, mãos calejadas
Ouça o menino Beija Flor
Ceiba, árvore da vida
Raízes na verde imensidão
Na crença de tribos antigas
Força e povoada nesse chão
O invasor singrou o mar
Partiu em busca de riquezas
E encontrou nesse lugar
Novas Índias, outras realezas
Destino trocado, tratado se faz
Marejam os olhos dos ancestrais

Negro canta, negro clama
Liberdade!
Sinfonia das marés
Saudade!
Um africano rei que não perdeu a fé
Era meu irmão, filho da Guiné!

Formosa, divina ilha
Testemunha dos grilhões
Eu vi a escravidão erguer nações
Mas a negritude se congraça
A chama da igualdade não se apaga
Olha a morena na roda e vem sambar
Na ginga do balélé, cores no ar
Dessa mistura vem meu axé
Canta Brasil! Dança Guiné!
Criança! Levanta a cabeça e vá embora!
No mar que trouxe a dor,
Riqueza aflora
Tens uma família agora!
Quem beija essa flor não chora.

Sou negro na raça, no sangue
E na cor.
Um guerreiro Beija Flor
Oh minha deusa soberana!
Resgata sua alma africana.




Enredo de 2015

"Um griô conta a história: Um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa Felicidade"

Introdução
Para conseguirmos entender o que fomos e o que somos, é necessário que se conheça a herança da África no Brasil e a África que ficou do outro A história da África – ou melhor, das várias Áfricas, faz parte da história do Brasil. É importante para nós, brasileiros, porque ajuda a explicar e entender a nossa história. Mas é importante também, por seu valor próprio, e porque nos faz melhor compreender o grande continente de onde proveio quase metade de nossos antepassados.
A importância e a magnitude da África é algo tão impressionante, que por mais que se fale de África com frequência, o tema é tão rico, que parece não se esgotar nunca; permanece despertando a curiosidade e o interesse de pessoas comuns e estudiosos.
No passado, as tribos regionais, com suas tradições e costumes, despertaram o interesse de distintos povos europeus, que em busca de especiarias, terminaram por fomentar o tráfico de escravos.
Hoje, ao revisitar o sofrido continente africano, nossa proposta principal é mostrar que é possível sim ter esperança de que um povo massacrado, cansado e desiludido, seja capaz de renascer, aos poucos, com sonhos vigorosos, planos precisos e metas concretas; projetando uma nova África, ou uma nova perspectiva para a África, calcada no progresso propiciado pelo "ouro negro" e nos ideais de unidade, paz e justiça, reafirmados tal qual um mantra.
Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade, porque neste carnaval, os caminhos da África nos conduzem à Guiné Equatorial.
Sinopse
A conversa que ora inicia, poderia muito bem versar sobre religião e a fé em nossos ancestrais ou, quem sabe, sobre liberdade e este verde sem fim; alguns poderiam dizer que é o passado que se revela do outro lado do Mar Tenebroso, ou por que não a África animista por natureza em sua história de exploração, luta e dor. Esta conversa é tudo isso e um pouco mais, diálogo entre um pequeno filho da Guiné Equatorial e um Griô, um ancião, senhor do passado, mais um daqueles sábios que guardam, de pai para filho, a história viva do continente africano, e mais precisamente, de A criança, olhos fixos no velho homem, não deixa passar um detalhe sequer, e o contador de histórias, em um tom tranquilo, porém com a voz firme, devaneia... Declama... Recita... o livro aberto da memória:
Foi num tempo primitivo, no albor de toda raça, sob um verde inimaginável, que nossa gente surgiu. Foi muito antes deles chegarem, os brancos, em seus grandes barcos, guiados pela mais voraz ambição, sedentos de ouro e de gente, nossa gente!
Antes era tudo verde, toda vida, tambores e tribos...
A natureza pulsava em cada elemento; as raízes das árvores entrelaçavam-se com a nossa raiz, e crescíamos , vivíamos e cultuávamos a liberdade, cada um com sua fé. Os ritos refletiam a força e a ligação do povo com a natureza, e a Ceiba, árvore sagrada da vida, testemunhou cada momento do florescer de nossa história.
Mas um dia, esta paz sucumbiu... Eles chegaram rasgando o Mar Tenebroso, e com as marés trouxeram a cobiça, sua força e seus costumes tão diferentes das nossas tradições; eles sangraram os corações de nossos ancestrais!
Falavam outra língua, buscavam riquezas... Escravizaram homens, mulheres, crianças... Em nome do Rei de Portugal.
A jóia da Coroa era a Casa da Guiné...
E do litoral, nossas mães observaram, onda após onda, seus filhos vendidos... Quantos reis comerciados, escravos por um trocado, objetos da opressão, no mercado de gente, mercadoria humana.
Mas a grandeza de nossa terra atrai outras bandeiras da maldade, e a engenharia da ambição ergue a sua companhia, leva o continente negro, através de nossa cultura, por um oceano de mágoas. Os filhos da África constroem a evolução da humanidade; o sangue negro foi a argamassa do edifício da escravidão.
Papéis assinados, destinos trocados, nossa terra por um tratado:
"Habla Espanhol"!
A raça negra, que transpiramos em cada poro, resiste, enfrenta a dor, não se entrega jamais, e a cada grilhão, nos tornamos mais fortes; a cada opressão, a cultura se manifesta.
Nada é mais degradante do que a ausência da liberdade!
Nada é mais libertador do que a força de um povo!
Menino, nós temos sangue dos Bengas! Somos herança do reino
Bubi! Corremos nas terras Fang!
Temos influência de Oyó!
A África é a Mãe da Humanidade!
Filho, o suor negro construiu a civilização moderna. Enquanto a empresa da escravidão possibilitou o acúmulo de riquezas, nosso mar de gente sangrou os mares. Ah! Quantos Zumbis, quantos Mandelas surgiram aqui no Golfo da Guiné? Nossa gente ensinou ao mundo o perfeito significado da palavra liberdade...
Senhor! (Fala a criança): E agora que eles foram embora?
O Grió aponta para o Mar e diz:
O que você vê?
O Oceano!
E depois?
O horizonte!
A África hoje enxerga o horizonte da reconstrução, respeitando a história daqueles que resistiram, observando a luta de quem um dia venceu a dor; símbolos de um continente desapropriado de grande parte de sua gente, mas acima de tudo, um continente guerreiro.
A nova face da África se lança rumo ao progresso; respeita a natureza, mas se engrandece com as riquezas que afloram deste chão.
Nova face em meio a grande floresta e a imensidão do mar em que se encontra a Guiné Equatorial; o país que emerge da Costa da Guiné, terra intimamente ligada à história do Brasil, vivendo o presente, como nação amiga e ansiando um futuro de unidade, paz e justiça.
Meu filho, orgulhe-se desta raça, de sua dignidade e sua contribuição para a humanidade! Lute, pois lutar sempre foi nossa verdade, para que assim, "caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade".
Justificativa
África: a paisagem que mais parece uma miragem. Aquela imensidão verde, deslumbrante, intocada, hipnotizante. A força da selva e a importância de Ceiba, a Árvore da Vida.
As frondosas raízes das árvores se confundem, se misturam, se mesclam com as origens de nossos ancestrais, e com todo o legado por eles deixado.
Com a tez escura como o ébano, nativos e guerreiros de tribos primitivas, guardiões dos costumes e dos ritos tradicionais, preservam as informações, as práticas, as estórias e os costumes, que são registrados através da oralidade, na memória e nos corações dos homens. Totens, máscaras, carrancas, esculturas, peças de marfim e técnicas específicas, como a taiba, são alguns dos símbolos diversos que cruzaram o oceano a propagar uma cultura magnânima.
Diferentes povos demonstraram interesse em explorar, colonizar e extrair as riquezas da terra, destacando-se as investidas europeias, onde marcaram presença portugueses, holandeses, franceses, espanhóis e ingleses; sendo o Golfo da Guiné, o berço da herança cultural deixada pelos medievais reinos tribais dos Benga, dos Bubi e pelos clãs Fang.
Ao explorar o Golfo da Guiné, Portugal, na busca pelo caminho das Índias, coloca a Formosa Bioko nos mapas europeus. D. João II de Portugal, proclamado Senhor da Guiné, junto com os portugueses, inicia a colonização das ilhas de Bioko, Ano Bom e Corisco, convertendo-nas em postos destinados ao tráfico de escravos.
Na travessia do Mar Tenebroso, enjaulados em sombrios navios, e acorrentados à grilhões e às lembranças da terra natal, negros serviçais, humilhados, desacreditados e açoitados, terminam por se dispersar pelo mundo. São braços fortes, construtores, massacrados pelos opressores; pobres sofredores à mercê da sorte e da vontade de seus mercadores.
Um ode à liberdade anuncia o grito de independência: rompam-se as algemas! Abaixo a dominação! De braços dados, revela-se uma nação fraterna, ávida por união. Paralelamente à uma África antiga, primitiva, rústica, observa-se o despertar de uma nova face da África. Nascida na história recente, revela-se expoente a Guiné Equatorial.
Dotada de rica biodiversidade, com belezas naturais estonteantes e riquezas minerais abundantes, fauna e flora revelam as diferentes nuances da Guiné que saltam aos nossos olhos, refletidas em cores e estampas, tecidos e sabores, no ritmo, no gingado e nos penteados, que imprimem à essa gente uma negritude de traços tão marcantes.
Na iminência de completar meio século, a Guiné Equatorial é uma região de solo fértil. A terra, generosa, produz gêneros agrícolas diversos: cana-de-açúcar, café, cacau, banana, abacaxi, abóbora, milho, mandioca e algodão, são apenas alguns dos produtos que engrandecem a agricultura e brotam desse chão!
A extração de madeira, a existência de diamantes, e a descoberta do "ouro negro", com o conseguinte fomento do petróleo, ocorrem com demonstrações de respeito ao meio ambiente.
Empenhados em promover o encontro das bandeiras de duas nações fraternas, num majestoso festejo popular, onde a língua portuguesa é apenas mais um elemento de afinidade, objetivamos consagrar o enlace cultural entre o Brasil e a Guiné Equatorial, brindando os ideais de unidade, paz e justiça.
Abordando as distintas influências, sem discriminação, cantemos liberdade! E "Caminhemos sobre a trilha de nossa imensa felicidade".

Carnavalesco: Laíla





Fonte: http://www.rio-carnival.net/


PARABÉNS SALGUEIRO PELO VICE CAMPEONATO!!!

Foto: Divulgação

Enredo: "Do fundo do quintal, saberes e sabores na Sapucaí"

Autores: Xande de Pilares, Jassa, Betinho de Pilares, Miudinho, Luiz Pião e W Correa

Intérprete: Serginho do Porto e Leonardo Bessa

Samba Enredo:

Tem amor nesse tempero... Salgueiro
Esse "trem é bom demais"
Vem dos tempos dos meus ancestrais
Foi o índio que ensinou
Com sua sabedoria
O jeito de aproveitar, tudo que a terra dá, no dia-a-dia
É de dar água na boca, se lambuzar
Visitar o paraíso.... e sonhar

O danado desse cheiro sô... ô sinhá
Atiçou meu paladar... ô sinhá
Já bebi uma "purinha" vim sambar na Academia
E não quero mais parar...

O ouro desperta ambição
Da fome nasce a criatividade
O branco, o negro e seus costumes
Trazendo muito mais variedade
Um elo em comunhão
E a culinária virou arte e tradição
É no tacho... na panela... mexe com a colher de pau
Saberes e sabores lá do fundo do quintal
Peço a Nossa Senhora pra não deixar faltar
É divina... que delícia... pronta pra saborear

Prepara a mesa bota a fé no coração
Numa só voz vai meu samba em louvação
É o meu Salgueiro com gosto de quero mais
Oh Minas Gerais!




                 Enredo de 2015

"Do fundo do quintal, saberes e sabores na Sapucaí"

Os primeiros habitantes
Afastada do litoral, a região do Serro do Frio, em Minas Gerais, antes da chegada dos colonizadores, era habitada pelos índios botocudos. Tratava-se de uma tribo conhecida pelas enormes argolas enfiadas nos lábios e nos lóbulos das orelhas. Da presença indígena, a cozinha mineira herdou muitos elementos, como o uso de raízes e brotos, os frutos encontrados no mato, a caça, a pesca, os utensílios, os modos de preparo e tempero dos alimentos, enfim, o aproveitamento dos recursos que a terra dava.
Conta certa crônica escrita por um viajante europeu que os índios desta região tinham como hábito degustar um verme que vivia no broto da taquara, uma espécie de bambu. Os nativos faziam com ele uma excelente iguaria parecida com um creme que ressaltava o sabor dos alimentos. Usado de outra forma, o "bicho-da-taquara", como era também conhecido, uma vez seco e triturado em pó, servia como poderoso sonífero. Isto proporcionava longas noites de sono repletas de sonhos maravilhosos por terras desconhecidas e de exuberantes paisagens, paraíso de cores e sensações inesperadas. Aquele que o consumia, era transportado para um mundo imaginário fascinante!
A corrida do ouro
Os bandeirantes avançaram pelo território brasileiro em busca de riquezas. Levavam na bagagem, nos lombos dos burros, o modo de cozinhar dos tropeiros que produziam uma comida seca e fácil de ser transportada. Comida não perecível, de quem fica pouco tempo em um só lugar. As bandeiras tinham que se virar com o pouco que tinham à mão, daí recorrerem à caça e à pesca, aos talos e folhas e outras tantas ervas que encontravam pelos caminhos.
Por volta de 1693, foi descoberto ouro em Minas Gerais. Logo teve início uma corrida desenfreada atrás de seus veios. Esmeraldas e diamantes atraíram gente de toda parte do Brasil e da Europa. Portugal teve que abrir o olho, mandou fiscais, militares e estabeleceu uma alfândega para evitar o contrabando dos metais e pedras preciosas.
Nesse período a população cresceu, os pequenos povoados viraram vilas com casas de alvenaria e sobrados de dois andares que ocuparam o lugar das palhoças de pau-a-pique. Modos e modas da metrópole se espelhavam no comportamento das sinhás e sinhazinhas, que trouxeram tecidos e rendas, louças e talheres, novos ingredientes para aprimorar ainda mais a cozinha mineira.
Alucinados pela febre do ouro muitos abandonaram a lavoura e se dedicaram à exploração das minas. Logo a escassez de alimentos se fez sentir. Havia ouro, mas faltava comida. Com o preço dos alimentos subindo sem parar, muita gente passou fome. E como a necessidade é mãe da invenção, o mineiro daqueles tempos foi buscar soluções até então impensadas. Exigia-se o aproveitamento de tudo. O que antes era rejeitado, agora era incorporado num novo prato, num novo modo de preparo. Daí vem o jeito mineiro, sempre cauteloso e prevenido. Ou seja, a abundante cozinha típica mineira surgiu da fome.
Os escravos das minas
A notícia da descoberta do ouro trouxe para Minas milhares de escravos vindos de outras regiões do Brasil, principalmente daquelas onde a cana-de-açúcar prosperava. Outros vieram diretamente do continente africano, o que causou um espantoso aumento da população negra em Minas. Esta migração forçada e sofrida deixou sua marca indelével na cultura mineira, seja na religiosidade, na música e na dança e, sobretudo, na cozinha, formando junto com o indígena e o branco colonizador a "Saborosíssima Trindade" da tão variada culinária de Minas.
"Depois do idioma, a comida é o mais importante elo entre o homem e a cultura". - (Raul Lody)
A cozinha
"O cartāo de visitas de um local é a sua cozinha. Ela ensina, pelo sabor, seus saberes".
Um prato típico é aquele que preserva e envolve muitos saberes no seu conteúdo, saberes que não se perderam no tempo. Cada utensílio de cozinha, como pilões, tachos, gamelas, colheres de pau, panelas de ferro ou de pedra sabão. Cada tempero como o imprescindível alho e sal, o urucum, a pimenta, cada folha vinda do mato ou da horta, como o "ora-pro-nobis" e a couve, cada ingrediente como a gordura de porco, a farinha ou a cachaça, tudo guarda em si um conhecimento ancestral, que atravessa as gerações e faz sentir no presente as lembranças e os afetos que nos remetem a outros tempos e lugares vividos.
As receitas culinárias de Minas são inumeráveis. Misturas de magia afro-indígena, da sofisticação luso-europeias, mas o princípio fundamental em todas elas, dito com propriedade, é: "O primeiro ingrediente que vai na panela é o amor".
A comida e a fé, sustentáculos do homem da terra...
Era preciso ter disposição e força para encarar o trabalho duro. E haja angu e rapadura para vencer a lida! Mas mesmo quando a comida era pouca, havia a fé, havia a crença, que superava as dificuldades e enchia de esperança o futuro.
Em Minas, a devoção está para o homem como o sol está para a vida. Sob a luz de Nossa Senhora do Rosário o "ora-pro-nobis" toma gosto e ganha tom! Todos em uma só voz entoam as angústias e as glórias de um povo que sobreviveu à escravidão. Todos honram à padroeira da cidade do Serro, nas figuras de índios, reis, juízes e marujos. Aqui as três raças se consagram: índios, brancos e negros louvam em uníssono àquela que guarda e protege a todos sem fazer distinção. Homens e mulheres unem-se num ato de amor e gratidão por tudo o que a terra e a vida lhes deram sob a bênção de Nossa Senhora, cantando, seguindo em procissão, e, é claro, compartilhando os quitutes da boa mesa, da divina comida mineira, temperada com uma boa pitada de generosidade.
E eis o grande milagre:
Colher de pau, pilão, tacho de cobre.
Fogo de chão, gamela, fogão de lenha.
É com amor que o mineiro põe a mesa,
É atiçar o fogo e manter a chama acesa!
(Renato Lage e Márcia Lage)
OBS - Este enredo é baseado no livro "História da Arte da Cozinha Mineira", de Dona Lucinha (Maria Lúcia Clementino Nunes). Folhear essa obra é fazer um aprendizado sobre os costumes de Minas Gerais, suas tradições, suas deliciosas receitas. É seguir os caminhos que levaram à descoberta do ouro e se aprofundar na história do Brasil. Nosso enredo para o carnaval de 2015 é uma viagem através dos sabores que Minas Gerais oferece e resguarda nos saberes que cada prato típico preserva através do tempo.

Carnavalescos: Renato Lage e Márcia Lage"




 Fonte:http://www.rio-carnival.net/

sábado, 14 de fevereiro de 2015

SUCOS ENERGIZANTE PARA QUEM VAI CAIR NA FOLIA

É CARNAVAL!  É hora de agitar, e o que não faltam são opções.
Baile de carnaval a noite, bloco de rua a tarde, trio elétrico,
sambódromo para quem vai assistir aos desfiles ou desfilar, praias...ufa e uma verdadeira maratona.

Se você  vai cair na folia e não quer perder um minutinho do carnaval, vamos te ajudar a manter a energia do corpo.  Começando com uma boa alimentação e hidratação, não pode esquecer de beber bastante água. Consumir carboidratos é importante para repor a energia.  Uma boa dica é beber sucos.

Aqui vão receitas de sucos energizantes para você aguentar o pique do carnaval.


SUCO VERDE ENERGIZANTE
  • 2 fatias de beterraba
  • 1/2 xicara de espinafre
  • 1 maça pequena
  • 1 colher de café de gengibre ralado
  • 1/2 colher de sopa de óleo de coco
  • 1 colher de sopa de hortelã
  • 1 xicara de chá verde
Bata todos os ingredientes de devem estar higienizados e crus, no liquidificador com gelo, e sirva.
120 Kcal.

SUCO VERDE COM MAÇÃS E ÁGUA DE COCO
  • 1/2 maçã verde
  • 1/2 maça vermelha
  • 2 colheres de sopa de suco de limão
  • água de um coco verde (200 ml)
  • 1 colher de sopa de salsinha
Bata todos os ingredientes no liquidificador com gelo, e sirva.
125Kcal.

SUCO ESTIMULANTE
  • 1 embalagem de polpa de acerola
  • 1 colher de sopa de suco de limão
  • 1 colher de chá de mel
  • 1/2 colher de sopa de guaraná em pó
  • 1 copo de água mineral
Bata todos os ingredientes no liquidificador com gelo, e sirva,



SUCO ACELERADOR
  • 1 copo de mate (200ml.)
  • 1/2 maçã
  • 1/2 mamão papaia
  • 1 banana prata
  • 100 ml. leite de soja
Bata todos os ingredientes no liquidificador com gelo, e sirva.
180 Kcal.


SUCO VERDE DE MAÇÃ E BETERRABA
  • 1/2 cenoura picada
  • 1/2 embalagem de polpa de acerola
  • 1/2 talo de aipo (pequeno)
  • 2 fatias de beterraba
  • 1 maçã pequena
  • 1  copo de água mineral
  • 1/2 xicara de espinafre
Bata todos os ingredientes no liquidificador com gelo e sirva.
75Kcal.


SUCO DE FIGO COM ÁGUA DE COCO
  • 1 copo de água de coco
  • 2 figos frescos
Bata todos os ingredientes no liquidificador com gelo, e sirva.
127 Kcal.




SUCO DE FRUTAS VERMELHAS
  • 1 xicara de amoras
  • 1xicara de framboesas
  • 4 morangos
  • agua mineral 300ml.
Bata todos os ingredientes no liquidificador com gelo, e sirva.
145 Kcal.


SUCO BORBULHANTE
  • 1 kiwi
  • 1 laranja descascada e picada
  • 1/2 manga picada
  • água com gás.
Bata as frutas no liquidificador com um pouco de agua, coloque no copo, adicione gelo e água com gás, misture e beba.











sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

UNIDOS DA TIJUCA

Foto: Divulgação
Enredo: "Um conto marcado no tempo - O olhar suíço de Clóvis Bornay"

Autores: Gustavinho Oliveira, Caio Alves, Rafael Tinguinha, Cosminho, Josemar Manfredini, Fadico, Zé Luiz e Carlinhos

Intérprete:Tinga

Samba Enredo

Carnaval
eterna é nossa união
que bom voltar
pra reviver esta emoção
quem dera com o meu pai reencontrar
tantas histórias encantadas
se fez o sonho e não quero acordar
seres alados, castelos erguidos
sopro gigante, herói destemido
nos montes de neve um anjo a proteger
melhor amigo que o homem pode ter

Gira mundo no tempo, templo da invenção
tudo cabe no bolso ou na palma da mão
''o som da caixa'', jóia de valor
quem procura acha, a senha do amor

Novo tempo
relativa idade do conhecimento
brilhante pensamento
explica a vida em todas as direções
sábia mente, a hora voa com o viajante
brilha o sol num instante
aquecendo tantas gerações
hoje eu vejo que o ontem
é o aprendizado para o amanhã
Suíça, em tua história a inspiração
com teus sabores na avenida
quebrando o gelo, lá vem o pavão

Deixa o dia clarear Tijuca
tá na hora a gente vai à luta
o relógio disparou alô gente bamba
vai pro Borel o prêmio Nobel do samba



     Enredo de 2015

"Um conto marcado no tempo - O olhar suíço de Clóvis Bornay"

Departamento de Carnaval: Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim, Marcus Paulo e Carlos Carvalho

Ainda me lembro, sentado aos pés do meu pai... entre as páginas dos livros, ouvindo suas histórias de uma terra mágica, viajava nos contos encantados que davam vida aos cavaleiros medievais montados em ginetes, cavalgando em direção aos montes gelados e brancos. Dragões alados sobrevoavam castelos e aldeias, o povo aterrorizado, fez um pacto até mesmo com o diabo para construir uma ponte e, assim, seguir seu caminho. Minha imaginação me embalava; ali eu estava, guardado pelas emoções o tempo não passava. Os ponteiros do relógio bailavam em prosa e verso, eu ali continuava, despertando personagens sem fronteiras nesse universo.
Fiquei admirado com um bravo caçador, de pontaria certa, salvou seu filho da tirania fatal. Homem de bem, respeitado por todos, lutou pela independência de sua terra e pela liberdade de seu povo. Subindo aqueles montes gélidos, forrados por nobres estrelas brancas que caiam do céu, vivia um lendário gigante soprando ventos frios, congelando plantações e lagos ao léu. Eis que surge para salvar os que estavam a precisar, o anjo dos Alpes sempre pronto a zelar.
A cada instante, minhas lembranças giravam como engrenagens de uma caixinha de música, dando vida a uma variedade de proezas e façanhas que jamais pude imaginar, onde em um instante tudo cabia no bolso, na palma da mão, tantas ferramentas em uma só. Em outra caixa, curioso fiquei, nelas senhas secretas que nem mesmo o tempo era capaz de apagar.
De repente, deparo-me com um novo tempo que se forma, ponteiros a girar em todas as direções. "Uma nova hora começou! Aproveite-a sabiamente" - assim o cuco falou. Livros, então, passaram a registrar pensamentos e teorias escritas por um homem de mente brilhante e coração puro, que, no girar dos ponteiros, viajou a um futuro, transformando o tempo em fórmulas, fórmulas em sonhos, e sonhos em realidades. O tempo voa, o tempo vai, o tempo me leva na brilhante história de um viajante a planar entre o céu e o mar na aeronave que tem o sol a te alimentar.
Assim, um novo tempo se anuncia. Pessoas que passam pessoas que vêm e que ficam. Bandeiras que voam, dançam e giram acompanhadas de trompas gigantes encantadas, soando uma melodia em perfeita harmonia. Mas vejam só: nessa história fascinante, um escultor transformou o movimento, alcançando todos seus desejos, fazendo com que sua arte fosse importante para aquela terra de cores. Cores que protegiam, em tempos distantes em que guardas fardados defendiam igrejas, vestindo ricos trajes. Cores que brincavam sobre folhas brancas, riscos e traços que conduziam a cadência pintavam o que eu não via. Atravesso, então, para um tempo futuro, nos filmes de máquinas e seres viajantes.
Gotas de chuva caem do céu, passeiam entre as nuvens, descem montanhas, alimentam pastos e fontes. Entro em uma página que uma fábrica se faz presente. Sinto o gosto de tudo que já comi, de tudo que já bebi. Litros e mais litros do mais puro leite, repleto de aromas e sabores, são transformados em passe de mágica em queijos empilhados. E lá do alto vejo uma coroa a reluzir, nossa... existe um rei ali! Percebo o giro dos ponteiros, como a colher do cozinheiro mexendo sem parar. Cachos de uvas enfeitam todos os cantos. São cascatas e rios dos mais deliciosos chocolates, levando meu paladar a percorrer minhas lembranças. E o cuco? Novamente alegre a cantar, anuncia "A fábrica não pode parar!"
As páginas do livro vão se acabando. Vejo que as histórias de ontem e de hoje misturam-se com as do amanhã. Percebo diante dos meus olhos uma avenida estendendo-se a mim, aqui e acolá, festas que duram o ano inteiro, até o sol brilhar. Foliões fantasiados fazem soar instrumentos, girando os ponteiros da engrenagem do tempo, bailando em versos despertando luzes acesas e o brilho das cores. Agora não mais uma criança e sim um folião a desfilar, ainda fascinado pelos contos daquele lugar. Encontro-me em meio à Sapucaí, de tantos carnavais, que sempre festejei. Escrevo mais um conto marcado no tempo, neste lugar de riquezas mil, laços Suíça-Tijuca-Brasil.

Clóvis Bornay


Fonte: http://www.rio-carnival.net/


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

IMPERATRIZ

Foto: Divulgação
Enredo: "Axé, Nkenda! Um ritual de liberdade e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz!"

Autores: Marquinho Lessa, Zé Katimba, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Audir Senna

Intérprete: Nêgo

Samba Enredo

Foi um grito que ecoou, "Axé-nkenda"!
A luz dentro de você… acenda!
Nada é maior que o amor, entenda
A voz do vento vem pra nos contar que na mãe África nasceu a vida
Pura magia, "baobá" abençoado… tanta riqueza no triângulo sagrado
Mistérios! Grandeza! O homem em comunhão com a natureza!
Tristeza e dor, na violência pelas mãos do invasor
E o mar levou.. Nossa cultura um novo mundo encontrou

Põe pimenta pra arder, arder, arder!
Sente o gosto do dendê, o iaiá, oyá
Tem acarajé no canjerê, tem caruru e vatapá (é divino o paladar)
Capoeira vai ferver! Vem ver! Vem ver!
Abre a roda que ioiô quer dançar.. Sambar..
Traz maracatu, maculelê.. É festa até o sol raiar

Liberdade! Sagrada busca por justiça e igualdade
E com arte eu semeio a verdade
O despertar para um novo amanhecer
Faço brotar a força da esperança
Deixo de herança um novo jeito de viver!
Vamos louvar o canto da massa
Unindo as raças pelo respeito
Vamos à luta pelos direitos
Uma "banana" para o preconceito

"Mandela"! "Mandela"!
Num ritual de liberdade
Lá vem a Imperatriz! Eu vou com ela
Eu sou "Madiba"! Sou a voz da igualdade



Enredo de 2015

"Axé, Nkenda! Um ritual de liberdade e que a voz da igualdade seja sempre a nossa voz!"

"Ninguém nasce odiando uma pessoa por sua cor de pele ou religião. Pessoas são ensinadas a odiar. E se elas aprendem a odiar, elas podem ser ensinadas a amar." - Nelson Mandela

Axé!

Ouçam a voz do vento. Prestem atenção no que ela tem a nos contar.
Lembra do tempo em que as estrelas coroavam o nosso pensamento e, com ele, começavam a brilhar.
Nossos ancestrais conviviam em harmonia com a natureza e a sabedoria dos animais. Construíram uma gigantesca família, se espalharam pelo mundo e, por onde passavam, abriam novos caminhos para semear o amor e a paz.
Naquele tempo, não havia longe, nem perto; nem errado, nem certo; e reinava uma exuberante floresta onde, hoje, padece o maior de todos os desertos.
Caminhando pela savana, reunidos em torno da fogueira, celebrávamos a chegada e a partida, como se o direito de ir e vir fosse uma certeza prometida.
Baobá, árvore querida... Aprendemos a cantar, o segredo da rima, rimando a pureza das palavras com a beleza da melodia: alegria com nobreza, mistérios com fantasia.
Baobá, árvore querida... Conduz nosso canto até onde moram os deuses do infinito. E que eles cubram com o manto da noite o ventre de Mãe África, onde dormem as matrizes da vida.
África, Triângulo Sagrado, banhado por um oceano de cada lado.
Ao Norte, o próspero Mediterrâneo; a Leste, o reluzente Índico; a oeste, o tenebroso Atlântico.
Ao Norte, entre o mar e o Saara, brotaram as suas primeiras civilizações, verdadeiras joias-raras: o esplendor do Egito, o empreendedor Cartago e o Marrocos de Alah.
A Leste, velas tremulavam, salpicando o mar. Traziam sedas da China, tapetes da Pérsia e temperos da Índia. Do Reino do Sudão levavam o ouro e outros metais preciosos.
Entre os paralelos do Equador, existe uma majestosa floresta, onde o homem não se cansa de tirar, nem os deuses se cansam de repor.
Além de árvores, plantas e espécies fantásticas, existem rios e cachoeiras que os nossos olhos são poucos para admirar. Não existe na Terra, tamanha diversidade, incrível quantidade de vegetais e animais - embora, não faça muito tempo, houvesse muito mais.
São Zulus, Massais, Bantos, Mossis, Bokongos e Hauçás clamando por liberdade e paz!
Os mistérios da Natureza vão além da compreensão. Explode o raio, grita o trovão, a cheia inunda o vale, a terra vomita fogo pela boca do vulcão. A cachoeira chora, a lua cheia anuncia que algo acontecerá antes do raiar do dia. Ao som de tambores, lendas, mistérios, curas e magia constroem mitos e aventuras, cultos e culturas. Essa é a nossa liturgia.
Vivemos numa terra de contrastes permanentes. O mais velho dos continentes possui a população mais jovem do planeta - com sonhos ainda latentes.
Também pudera... Nenhum outro continente sofreu tantas transformações, tantas violações, em tão pouco tempo!
Nossos guerreiros não conseguiram impedir a marcha do invasor. Suas preces foram sufocadas pelos canhões. 
Perdemos nossos bens, muitas vidas, dialetos e nações. O pranto foi pouco para tanta dor...
Fomos submetidos aos mais diferentes tipos de colonialismo. Aprendemos as mais contundentes formas de respeitar o "senhor". A pior delas foi o racismo - linha reta entre quem manda e é mandado.
Nos impuseram uma nova etnia, religiões, obrigações, devoções e economia. Fomos escravizados à tecnologia, em nome de um mundo "civilizado".
Pelas janelas do Atlântico, nossos olhos ainda choram amargas lembranças, vendo nossos irmãos partirem para terras desconhecidas. Não houve despedida, nenhuma notícia, nenhuma esperança.
Uma delas fica do outro lado do oceano e se chama Brasil. É uma terra muito parecida com a nossa: tem florestas, praias, muitos rios, clima quente, clima frio, gente que ginga, brinca e que também faz festa na roça.
Irmãos do Congo, Angola, Daomé, Gaô e Jané foram levados para lá. Carregaram na lembrança nossos deuses, nossas danças, nossa música, bebidas e comilanças, misturando nosso sangue ao brasileiro. É por isso que eles são tão festeiros.
Não fazem uma roda sem que haja um tambor, berimbau, reco-reco e agogô. Cantam em iorubá, rimam em nagô e começam a sambar. O que era uma roda vira festa, colorindo o país de Norte a Sul. Vem maracatu... boi-bumbá, congada, capoeira, reisado, umbigada, é jongo a noite inteira.
Como num rap, ou num partido-alto, criam vários sentidos com a magia das palavras...
Acarajé, quibebe, munguzá,
Caruru, abrazô, vatapá...
"Gererê, sarará, cururu
Olerê!
Balá-blá-blá, bafafá, sururu.
Olará!"
E vejam só que interessante... Depois das lágrimas de uma chegada angustiante, nasceram festas e folias que alegram o povo até os nossos dias.
Nossos irmãos rezavam para os deuses que não eram seus. Cantavam músicas que não eram suas. E fechavam as procissões que se arrastavam pelas ruas.
Foi assim que aprenderam a desfilar. Nasceram irmandades de bambas, organizadas como verdadeiras Escolas de Samba! Que, aliás, são Escolas de Cultura e Arte Africanas!
Nelas se aprende as coisas mais elementares da vida: Por exemplo... uma banana, subvertida como símbolo de racismo, na verdade é o africanismo mais popular do Brasil... E se não devemos dar asas para o mal, podemos transformá-lo numa brincadeira de carnaval. Que tal?
Cantemos a LIBERDADE! E para que ela abrisse as asas sobre nós, tivemos que ser fortes de verdade. Aprendemos com Zumbi, com os Malês, Manoel Congo, João Cândido e outros irmãos que já não estão aqui. Mas deixaram um caminho a seguir.
Aprendi que a vida é um permanente ritual de liberdade. Lutando por justiça, movimentos se espalharam pelo mundo inteiro. Estão documentados nos livros, no cinema, no teatro, na música, nas artes plásticas, nos grafites, por toda parte. Foi por ela que dediquei toda a minha existência. E faria tudo novamente.
Para que esta mensagem fosse tão transparente como as nossas águas, buscamos um caminho sem mágoas, procurando sempre a simplicidade. É como a África, mãe de tantas diversidades, lutando sempre por justiça. Foi a forma que encontramos para mostrar a verdade.
Precisamos semear nos livros, nas escolas, nas mentes e nos corações.
Precisamos reconstruir o continente africano e a mentalidade de muitos. Precisamos escrever uma nova História de Vida, pontuada de ações humanas, fraternas e solidárias!
Precisamos despertar em nossos irmãos, o mais difícil de todos os desejos: o de aprender a amar. Para que, então, a voz da igualdade seja sempre a nossa voz.
Este será o nosso maior desafio.
Axé, Nkenda!
Nelson Mandela
Céu - Departamento da África do Sul, Mvezo
GLOSSÁRIO
NKENDA - Amor, segundo o Kimbundu, língua africana falada no Noroeste de Angola.
BAOBÁ (Andansonia digitata) - Também chamado de embondeiro. Árvore que pode atingir 25 m de altura e 7 m de diâmetro. É a árvore nacional de Madagascar, emblema do Senegal e considerada sagrada em todo o continente africano.
ZULUS, MASSAIS, BANTOS, MOSSIS, BOKONGOS e HAUÇÁS - Algumas das mais tradicionais etnias africanas.
Acarajé, quibebe, munguzá, caruru, abrazô, vatapá - Comidas e iguarias da culinária africana.
"Gererê, sarará, cururu/ Olerê!/ Balá-blá-blá, bafafá, sururu/ Olará!" - trecho da letra de "Querelas do Brasil", música de Maurício Tapajós e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina.
"Ninguém nasce odiando uma pessoa por sua cor de pele ou religião. Pessoas são ensinadas a odiar. E se elas aprendem a odiar, elas podem ser ensinadas a amar." - Nelson Mandela
Axé!

Carnavalesco: Cahê Rodrigues



Fonte: http://www.rio-carnival.net/


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

UNIÃO DA ILHA

Foto: Divulgação
Enredo: "Beleza pura?"

Autores: Djalma Falcão, Carlos Caetano, Gugu das Candongas, Beto Mascarenhas, Roger Linhares e Marco Moreno

Intérprete: 
Acraílson Forde (Ito Melodia)

Samba Enredo

Floresceu… desabrochou uma explosão de cor
Bem-vinda oh mão natureza
Transformando, esbanjando formosura, é beleza pura
Vem no tempo vai no vento, quem vai julgar
O povo sempre deu um jeito de se enfeitar
Cada um é tão bonito quanto possa imaginar
Sou sambista, minha arte é universal
O que importa é estar na moda, na avenida principal
Me visto de ilusão, transbordo de emoção sou
Chique estou no Carnaval

Lá vem ela toda prosa, gostosa fiu, fiu
A beleza tá no seu interior, nos olhos de quem vê
No verdadeiro amor

Diga espelho meu no swing dessas feras
Tem mais bela do que eu? Ele respondeu:
No reino encantado, quem nasce pra brilhar, jamais se apagará
Mamãe tô forte e tenho sorte
Meu charme é passaporte para ser superstar
Eu tô na tela da tv sou a cara da riqueza
Tiro foto de mim mesmo eu só quero aparecer
Vim sem nada pra vida, nada vou poder levar
O meu destino diz, que eu serei feliz

A Ilha chegou, a festa começou
O show é da comunidade
Sem desmerecer ninguém, sou a mais linda
Encantando a cidade


    Enredo de 2015

"Beleza pura?"

Fala minha Ilha, beleza? 
Hoje "ela" é a inspiração para este carnaval.
Creio que a conhece, senão, descobrirá com facilidade.
Dizem que é fundamental.
Mora na filosofia: "É o brilho ou esplendor da verdade".
Quem é ela, afinal?
Está nos olhos de quem vê, isso garanto com certeza.
Mas para quem não crê, pergunto: Importa se não põe à mesa?
Ela é eterna na natureza, o sublime,
que se transforma a cada instante.
O que brota, floresce, desabrocha.
Em uma metamorfose ambulante.
Mas a humanidade, buscando ter,
em todos os povos e em todas as eras,
se enfeita com seu orgulho e prazer.
Está na alma dos artistas que representam um ideal.
O pincel na tela; o cinzel na pedra dura. A arte eterniza a formosura.
Após séculos de trevas, renasce na harmonia, na simetria, é universal.
Faz com que as vitrines da vida lhe chamem a atenção.
Muitos a consideram uma ditadura.
Mas se gosto não se discute... Vista-se de ilusão!
Nem sempre sob medida, mas aguente firme, prenda a respiração!
Mesmo que pareça dissonante, imagine que tudo é chique demais
tudo é muito elegante.
Assim tratada nos contos de fadas,
 
em personagens que na sua memória não se perdeu.
Solte suas feras, entre tantas belas e com bruxas sempre a perguntar:
"Diga espelho meu: se há na avenida alguém mais linda do que eu?"
Ela pode estar no interior, mas é no exterior que há repararão,
nos corpos perfeitos tonificados e malhados a ferro e proteína,
nos templos da obsessão ou no olimpo da perfeição.
Aos poucos o corpo se constrói, como de um deus, herói ou heroína.
Vive na mídia, ela é a cara da riqueza!
"Ela não anda, ela desfila, ela é top, capa de revista"
É toda, toda, trabalhada e com toda firmeza
É de se olhar, toda minúcia, toda delícia... É o que há!
Roubando a cena, por onde passa,
neste concurso chegará em primeiro lugar.
Bem na foto, e mesmo com retoques,
pode curtir e compartilhar, o verbo agora é "sensualizar"!
Quem sabe, com ela, até você se torne "superstar"?
Assim, espero que me revele seus segredos, que me dê algumas dicas.
Quais são os truques dela? Quais são seus artifícios?
E seus enganos, como para buscar felicidade, fosse apenas buscar a eterna juventude.
Por que todos parecem não se importar? "Se as aparências enganam"...
Alguém repara? Relaxe, vê se esquece! Na farsa da vida, "assim é, se lhe parece".
Pois o que se vê no reflexo? E a despeito dos defeitos...
Para ver suas falhas no entardecer da vida, se agarra aos ponteiros?
Agora, refletindo sobre a tal, então paro para pensar:
Que importa se está na flor da idade, na forma ou na estatura?
Se com o tempo vil, tudo passa, tudo muda?
O que é belo declina num só dia, tudo tem seu tempo, sua hora.
E quanto aos ganhos de tanta experiência? Se nem em sã consciência não tributa.
Pois alcançar não se pode a eternidade. Mas falo novamente em felicidade, se posso enfim me aceitar!
Então é isso! Beleza minha escola, se aproveite dela e encante mais uma vez a passarela, em um visual de alegria.
 
Vem amor, vem minha Ilha, vem na sutileza. Que um lindo desfile se anuncia!

Carnavalesco: Alex de Souza



Fonte: http://www.rio-carnival.net/